Investir em renda variável é uma excelente maneira de aumentar a sua riqueza, multiplicando o seu capital. Eu digo que mais do que isso, o interesse no investimento em renda variável nos obriga a aprender e estudar, nos forçando a adquirir novos hábitos de educação financeira. E são esses novos hábitos que criam um ciclo virtuoso de riqueza em nossas vidas.

Antes, é importante entender A Mudança

Até algum tempo atrás, eu estava com a maioria: nenhuma noção de educação financeira, poucos hábitos de acumulação de patrimônio e, quando acumulando aquém do necessário, ainda colocava os aportes na poupança. Sim, eu sei que isso é terrível, mas, é a verdade.

Por que investir na poupança é terrível?

Por que os rendimentos da poupança facilmente são alcançados pela inflação. Logo, podemos ter a sensação de alta rentabilidade e na verdade ter uma rentabilidade bem aquém do esperado, ou até mesmo, dilapidação do capital. Quer um exemplo?

No acumulado de 12 meses, entre outubro de 2017 e setembro de 2018, a inflação ficou em 4,53% enquanto a poupança rendeu 4,84%. Com isso, o ganho real da poupança ficou em incríveis 0,30%.

Deixar qualquer valor que seja investido durante 12 meses, para ganhar 0,30%, definitivamente só vale a pena para o Banco.

Quando comecei a parar para pensar nesses “detalhes” e fazer esses cálculos, decidi que quem deve ganhar dinheiro com as minhas economias sou eu mesmo, e não o Banco, logo, comecei a estudar bastante sobre o “temível” mercado de ações.

Mas afinal, o que tem lá nessa tal de bolsa de valores?

É na bolsa de valores que as empresas com capital aberto são negociadas. Determinada empresa pode ir até um Banco buscar dinheiro para investir na operação, ou, pode ir diretamente até os investidores, dando o primeiro passo através de uma oferta pública inicial de ações (IPO), captando dinheiro em troca de sociedade. A partir desse momento essa empresa passa a ser negociada dentro da Bolsa. Esse é um conceito simples, mas se devidamente compreendido, pode te deixar rico.

Quando conseguimos compreender que a Bolsa de valores não é um lugar para fazer apostas, nós fugimos da manada, e começamos a tratar nossas economias com sabedoria.

Mas Bolsa não é Casino?

Não, Bolsa não é Casino. Não vá para a Bolsa querendo enriquecer no curto prazo. Pense na Bolsa como algo que garantirá o seu futuro, não o seu presente. Resista a tentação de se alavancar. Trabalhe só com o dinheiro que você tem. É preciso entender os tipos investidores existentes na Bolsa. Em síntese, tratemos do trader e do holder.

O trader é aquele que analisa determinada empresa, conforme seus critérios, e acreditando que o preço irá subir, compra, e no mesmo dia, ou em poucos dias, após a ação subir, vende. Independentemente de qual empresa seja.

O holder é mais criterioso, por que acaba se “casando” com aquela ação. A forma de pensar do holder é a longo prazo. Ele compra ações de terminada empresa depois de analisar os últimos balanços, histórico da empresa e acaba por escolher uma empresa que ele realmente queira ser um sócio daquele negócio. Para o holder, variações para cima ou para baixo não importam, desde que a empresa não perca os fundamentos que o fez escolher aquelas ações.

Para mim, este é o perfil de investimento que mais faz sentido. Exige estudos mais profundos, mas mais esporádicos. É possível revisar a cada trimestre os resultados de cada ação, e manter os aportes mensais. Essa atividade é compatível com qualquer profissão: médicos, contadores, advogados, policiais, autônomos, enfim, qualquer atividade.

Mas como você realmente começa na renda variável?

Primeiro, construa sua reserva de emergência, nós já falamos sobre isso. Depois, você precisa definir o seu perfil de investimento, o próximo passo será escolher uma corretora. Abrir uma conta em uma corretora é gratuito. Como o meu perfil de investimento é de longo prazo – holder – isso tem uma característica bem importante no meu perfil: poucas operações. Um day trader por exemplo, compra e vende vários lotes de ação no mesmo dia. No meu caso, eu compro uma vez por mês. Realizo uma transferência bancária para a minha conta na corretora, e de lá eu compro os ativos da minha carteira.

Dito isso, e levando em consideração que faço aportes mensais pequenos, e aportes eventuais maiores, não vale a pena pagar taxa de corretagem. Muitas corretoras cobram entre R$8 e R$15 por ordem de compra. Digamos que eu comprarei 10 ações e ITSA4 a R$14,00 cada, a compra ficaria em R$140,00. Se nessa compra pagarmos R$15,00 na ordem de compra, significa dizer que houve depreciação no patrimônio de mais de 10%, uma perda que não é aceitável, ainda mais para quem está começando a investir.

Abra a sua conta em uma corretora com taxa zero

Na data em que eu escrevo esse artigo, estou utilizando a Clear, que é do grupo XP. Essa corretora não cobra a taxa de corretagem, sendo que pagamos apenas os emolumentos da Bolsa, que costuma ficar em 0,02%. Com este pequeno cuidado, conseguimos ajudar na manutenção do nosso capital, considerando que faremos pelo menos 12 aportes ao ano, e algumas ordens de compra, a depender do tamanho de sua carteira.

Abri a conta, agora é só comprar algumas ações?

Não. Agora nós fechamos o home broker, e vamos aos estudos. É preciso definir algumas coisas antes de utilizar a conta na corretora.

Qual é o seu objetivo? Independência financeira, viagem, compra de algo específico.

Quanto está disposto a aportar por mês?

Que tipo de distribuição fará? Uma parte em renda fixa e outra em renda variável? Tudo em renda variável?

Aqui vão algumas observações:

  • Eu comecei com todos os meus investimentos na poupança, fiz um pequeno aporte em renda variável.
  • Criei uma carteira diversificada com as melhores empresas de cada setor, e uma parte das economias em fundos imobiliários.
  • Observei essa carteira por alguns meses, e só depois fui migrando na totalidade para a renda variável.

O segredo dos investidores na Bolsa está na formula: aportes recorrentes + paciência = liberdade financeira.

O que achou desse texto? Ainda ficou com dúvidas? Comenta aí embaixo. Vamos ficar ricos juntos.

Filipe Mallmann

É Conselheiro na Ordem dos Advogados do Brasil no RS, Presidente da Comissão de Direito da Tecnologia e Inovação da OAB/RS, gestor de contas corporativas no Pereira e Mallmann Advogados, e apaixonado por tecnologia e investimentos.

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